OMS
Comunicado OMS renuiao alto nivel pict
© Credits

Reunião de alto nível reafirma o compromisso comum de reforçar a colaboração transfronteiriça e acelerar a eliminação da malária e das doenças tropicais negligenciadas

25 May 2026
Notícias departamentais
Genebra
Reading time:

Genebra, 25 de maio de 2026 – Uma reunião de alto nível, realizada a 20 de maio à margem da Septuagésima Nona Assembleia Mundial da Saúde, reuniu líderes mundiais e regionais, Estados-Membros, doadores, parceiros e peritos técnicos para acelerar o progresso rumo à eliminação da malária e das doenças tropicais negligenciadas (DTN).

A reunião sublinhou a importância de uma forte colaboração transfronteiriça, do intercâmbio de boas práticas e de abordagens integradas multi-doença para sustentar os ganhos, alargar o acesso a serviços essenciais de saúde e proteger as populações vulneráveis em toda a África e não só.

O evento foi organizado pela Comissão da União Africana e pela Organização Mundial da Saúde/Rede Global de Eliminação da Oncocercose (GONE), em colaboração com parceiros, incluindo a African Leaders Malaria Alliance (ALMA), a Drugs for Neglected Diseases initiative (DNDi), o The END Fund, o Task Force for Global Health/Health Campaign Effectiveness Coalition e a RBM Partnership to End Malaria.

Um elevado ónus da doença que exige ação imediata

A malária e as DTN continuam a ser grandes desafios de saúde mundial. Só a malária afeta cerca de 282 milhões de pessoas por ano e causa aproximadamente 610 000 mortes, sendo as crianças pequenas e as grávidas as mais expostas ao risco. As DTN afetam quase mil milhões de pessoas, com 1,4 mil milhões a necessitarem de intervenções todos os anos. As metas mundiais para 2030 incluem uma redução de 90% nos casos e mortes por malária e no número de pessoas que necessitam de intervenções contra DTN, a eliminação de pelo menos uma DTN em 100 países e da malária em pelo menos 35 países, e a prevenção do recrudescimento das doenças.

Apesar dos progressos significativos das últimas duas décadas — impulsionados pelo alargamento do acesso ao tratamento, por campanhas de prevenção, por uma melhor vigilância e por esforços nacionais coordenados  — novos  desafios  ameaçam  estes  ganhos.  Sistemas  de  saúde  frágeis,  financiamento insuficiente, resistência a medicamentos e inseticidas, alterações climáticas e escassez de profissionais continuam a dificultar o progresso. As recentes quebras no financiamento mundial da saúde vieram acentuar a urgência de abordagens mais eficientes e sustentáveis.

O Dr. Daniel Ngamije Madandi, Diretor da OMS para a Malária e as Doenças Tropicais Negligenciadas, salientou os progressos alcançados até à data, alertando ao mesmo tempo para a fragilidade destes ganhos: «Os progressos de hoje mostram o que é possível: o número de pessoas que necessitam de intervenções contra as doenças tropicais negligenciadas diminuiu de 2,2 mil milhões em 2010 para 1,4 mil milhões em 2024; atualmente, 63 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada, aproximando-nos  da  meta  mundial  de  100  países  até  2030.  Ao  mesmo  tempo,  desde  2000,  foram evitados 2,3 mil milhões de casos de malária e 14 milhões de mortes. Ao longo dos últimos 70 anos, 47 países e um território foram certificados como livres de malária, e 37 países comunicaram menos de 1000 casos de malária em 2024. Estes ganhos refletem uma forte liderança e parceria nacionais, mas
permanecem frágeis, pois a malária e as DTN não respeitam fronteiras.

Para os países que entram na última etapa, o sucesso dependerá de sistemas de saúde integrados, de uma colaboração transfronteiriça mais forte e da capacidade de alcançar as populações mais vulneráveis e  móveis.  A  OMS  mantém  o seu compromisso  de apoiar através  de  orientação  técnica,  vigilância, inovação e coordenação, ao mesmo tempo que continua a reforçar a sua própria abordagem centrada nos países. Se agirmos em conjunto, com urgência e unidade, um futuro livre da malária e das doenças tropicais negligenciadas está ao nosso alcance.»

Rumo à integração e à colaboração transfronteiriça

Os painéis de alto nível realizados durante a reunião incluíram representantes seniores e dirigentes de dez países africanos, entre os quais os Ministros da Saúde da Libéria, do Senegal e da República Unida da Tanzânia.

Os participantes salientaram que manter o ímpeto exigirá uma forte liderança política, a priorização das metas de eliminação e a integração dos serviços de malária e DTN nos sistemas nacionais de saúde. Ir além  de  abordagens  fragmentadas  e  específicas  de  cada  doença,  rumo  a  serviços  de  saúde  mais resilientes  e  integrados,  é  essencial  para  manter  uma  cobertura  elevada  e  assegurar  um  impacto duradouro.

A reunião destacou a importância crítica da colaboração transfronteiriça. Uma vez que as doenças e os vetores se deslocam através das fronteiras devido à mobilidade humana e às alterações climáticas, o progresso num país pode ser comprometido por uma transmissão elevada em regiões vizinhas. As zonas fronteiriças — muitas vezes caracterizadas por um acesso limitado aos serviços de saúde e por uma elevada circulação de pessoas — exigem intervenções direcionadas para garantir um acesso equitativo à prevenção e aos cuidados.

O Dr. Ibrahima Sy, Ministro da Saúde e da Higiene Pública do Senegal, sublinhou a importância da apropriação  nacional  e  da  coordenação  regional:  «Para  países  como  o  Senegal,  os  esforços  de eliminação assentam na equidade e na adaptabilidade. A redução do financiamento externo foi um sinal forte que nos leva a acelerar a transição para uma maior soberania sanitária e a mobilizar mais recursos internos.  Estamos  empenhados  em  reforçar  a  coordenação  regional,  melhorar  a  vigilância transfronteiriça e assegurar que nenhuma comunidade fica para trás à medida que trabalhamos rumo ao controlo sustentável e à eliminação definitiva destas doenças.»

A reunião destacou igualmente o crescente ímpeto regional para enfrentar os fatores transfronteiriços da transmissão das doenças, incluindo a migração, a circulação de pessoas, o comércio e os riscos relacionados  com  o  clima,  através  de  vigilância  coordenada,  partilha  de  informação  e  mecanismos conjuntos de preparação e resposta. Num passo significativo em frente, e com base em compromissos políticos recentes — incluindo um Apelo à Ação subscrito pelos Ministros africanos na Septuagésima Oitava  Assembleia  Mundial  da  Saúde  — os  países  partilharam  os  seus  esforços  para  elaborar  um Memorando de Entendimento (ME) conjunto sobre colaboração transfronteiriça no combate às DTN, que está agora a ser alargado para incluir a malária, sinalizando assim um compromisso concreto com uma  cooperação  regional  mais  estruturada  e  sustentada.  Os  líderes  sublinharam  que  este  esforço coletivo é essencial para proteger as populações vulneráveis, reforçar a resiliência dos sistemas de saúde e acelerar o progresso rumo às metas de eliminação e aos objetivos mais amplos de segurança sanitária. Espera-se que o ME sobre colaboração transfronteiriça no combate à malária e às DTN represente um quadro de ação coordenada conducente à aceleração dos esforços de eliminação das doenças e a um progresso sustentado além-fronteiras.

O Dr. Mohamed Omary Mchengerwa, Ministro da Saúde da República Unida da Tanzânia, salientou: «As doenças não se detêm nas fronteiras, e a nossa resposta também não pode fazê-lo. Para a Tanzânia, a colaboração transfronteiriça é essencial para proteger a nossa população e sustentar o progresso rumo à eliminação das doenças tropicais negligenciadas e da malária. Ao reforçar o planeamento conjunto, a partilha  de  dados  e  o  investimento  coordenado  com  os  nossos  vizinhos,  estamos  a  transformar  a solidariedade em ação e a assegurar que nenhuma comunidade que vive nas nossas fronteiras fica para trás.»

O Dr. Teyah Sackie Moore, Vice-Ministro em exercício dos Serviços de Saúde da Libéria, declarou: «Na região da União do Rio Mano, as nossas fronteiras ligam comunidades, meios de subsistência e ecossistemas, mas ligam também os desafios de saúde que enfrentamos em conjunto. As alterações climáticas, a circulação de pessoas e a transmissão transfronteiriça exigem uma coordenação regional mais forte, uma partilha de dados atempada e intervenções harmonizadas. A Libéria mantém o seu compromisso de trabalhar com os países vizinhos para construir sistemas de saúde resilientes e acelerar um progresso sustentável rumo à eliminação da malária e das doenças tropicais negligenciadas.»

A  Dr.ª  Carol  Karutu,  Vice-Presidente  do  The  END  Fund,  sublinhou  a  importância  de  abordagens coordenadas e baseadas em evidências para sustentar o progresso: «Alcançar um impacto duradouro contra as doenças tropicais negligenciadas exige um esforço coordenado que alinhe governos, doadores, empresas farmacêuticas e parceiros de implementação em torno de abordagens escaláveis e baseadas em evidências. Estamos a observar um forte ímpeto onde os países investem em sistemas de saúde integrados e dão prioridade ao acesso equitativo aos cuidados. O desafio agora é acelerar a partilha de boas práticas e apoiar estratégias transfronteiriças capazes de prevenir a reinfeção e sustentar os ganhos de eliminação, sobretudo entre as populações mais vulneráveis.»

A  eliminação  da  malária  e  das  DTN  é  essencial  para  alcançar  a  meta  3.3  dos  Objetivos  de Desenvolvimento Sustentável e contribui para resultados de desenvolvimento mais amplos, incluindo a redução da pobreza, a segurança alimentar e a melhoria da educação. Durante a reunião, a OMS e os parceiros apelaram a um investimento sustentado, à inovação e à colaboração para proteger os ganhos arduamente conquistados e acelerar o progresso rumo a um mundo livre da malária e das DTN.

More

Global Malaria Programme(Programa Mundial contra a Malária)

Global  Neglected  Tropical  Diseases  Programme (Programa  Mundial  de  Doenças  Tropicais Negligenciadas

Global Onchocerciasis Network for Elimination (GONE)

(Rede Global de Eliminação da Oncocercose (GONE)

Sustaining  the  momentum:  cross-border  collaboration  to  achieve  Malaria  and  NTD  Elimination (Sustentar o ímpeto: colaboração transfronteiriça para alcançar a eliminação da malária e das DTN)